Processo criativo: o ato de observar.
O processo criativo é algo único de artista para artista e as coisas nunca serão vistas da mesma forma diante da criação de algo, e talvez isso seja o que me encanta; saber que posso escrever sobre o mesmo sentimento, mesmo tendo em mente que milhares de pessoas já escreveram sobre, e ainda assim, ter a certeza de que minhas palavras são únicas. Com isso, quero dizer que quando decidimos criar algo artístico, normalmente, procuramos por alguma inspiração, razão ou um porquê daquilo estar sendo criado.
Muitos gostam da ideia de simplesmente sair por aí observando as outras pessoas vivendo suas próprias vidas, notando o cotidiano e os simples detalhes que muita das vezes deixamos passar despercebido por simplesmente estarmos ocupados demais com nossas coisas. Isso sempre me pega; a vida e as pessoas, não são coisas a serem vistas de forma superficial, olhe para nós, somos além de tudo que já imaginamos, e isso vale para coisas boas e ruins. Somos uma caixa de mistério, eu diria.
Lembro-me de quando ainda estava escrevendo o meu primeiro livro, lembro-me de como todas as coisas pareciam novas para mim e eu me perguntava sobre o porque eu nunca havia visto o mundo daquela forma. Eu era adolescente, e os meus sentimentos estavam à flor da pele, todos os meus pensamentos haviam o peso do mundo e eu os sentia claramente. Os meus processos surgem disso; devaneios vívidos que logo criam asas. Imaginações distintas; florescem, me parece existir uma vida dentro da minha própria cabeça. Eu precisei desde cedo aprender a descarregar as minhas coisas em algo, e é nesse momento em que a arte se encaixa. O processo criativo é isto: o ato de observar, e então reproduzir em nossas próprias perspectivas o que chamamos de existencial.
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